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A liberdade da alma está nas palavras, mas as súplicas nunca funcionam

Cansada. Estou farta! Ninguém responde às minhas preces, estou perdida, sem rumo, sem chão… Estou boiando, navegando sem mar, mas não tenho asas, portanto não posso voar. Meus sonhos perderam-se no meio do caminho, o exato se tornou incerto, e a realidade, a triste realidade, eternizou-se como maldição já cumprida. Onde findará a vida? Quando os anjos virão me salvar? O inferno chegou até a Terra e ninguém se salvará! Os enfermos curaram-se apenas para adoecer, ou melhor, trabalhar nas lavouras da mente, dia e noite trabalhando sem remuneração alguma, matando a sede com as lágrimas e o suor. E os demônios que os salvem! Se é que são capazes… Não, não sei.

Repete o drama; É pesadelo, ou realidade? Tudo se confunde, tudo se mistura… tudo se eterniza e dói. Dor que pouco se sente, ou melhor, pouco se é capaz de explicar.
Mas, como se falar em eterno numa terra onde tudo se é passageiro? Tudo, tudo… Sentimentos, sensações, pessoas, materiais, objetos, núcleos, tudo passa, a ordem exata das coisas é essa. Então como, como será capaz de mudar a ordem? Não és tão grande, ou melhor, está aí a pergunta que mora em mim: Há tão grande? E se houver, que apareça e me arranque o tédio e a tensão momentânea ou eterna, tampouco sei o que difere as duas;; Mistura-se tudo, e o oco já é entupido, e o cheio tão vazio. Afinal, é o fim, ou apenas o início? As eras, até elas passam, até a ira, até tudo… Nada se compreende! Nada é compreendido, não há compreensíveis. 

E estas palavras? Apenas sussurros, ou gritos, ou o escarro de minha alma tão pequena, mas tão imensa… Onde os extremos multiplicam-se e tornam-se cada vez maiores, ou eles se acabam e no final, nada sobra, nada há. Somente este vazio de cinco letras.

Júlia Silva

cinzentos:

Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos na casa do cronista Rubem Braga, em 1966.
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Ao meu epitáfio,

trago

fumo

ao meu coração

[sem rumo

sem saída]

mais um segundo

que desraigo em tua faca;

Entorpecida.

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Intolerantes vivem do arcaico

Grande, feio e negro. O preconceito racial, por mais arcaico que pareça, ainda existe, e quando se mistura à desigualdade social, não há lei que reforce o poder do cidadão, nem que possa (ou queira) defender pessoas com mais melanina e menos dinheiro.

Qual o real valor de uma vida? Temo que seja a força e agilidade dum tiro, ou a ingenuidade (perdida) de algumas moedas. Pouco demais, pessoas simplesmente perderam a noção de valores, todos os tipos de valores e a palavra cidadania é meramente utópica. Mas, será mesmo que a humanidade, alguma vez em toda a história, já tentou realmente compreender a vida? Talvez não, talvez fossem apenas pesquisas com fins monetários e adição de ibope, apenas mais algumas ilusões, mentiras contadas aos telespectadores, leitores, pessoas que da vida só conhecem a teoria. 

E, o que fazer com este preconceito que atinge todas as partes do mundo? Milhares de pessoas sofrem, morrem a cada dia, devido à ignorância e intolerância de muitos. Humanos têm medo do diferente. Esse medo ainda irá nos destruir completamente. Aliás, o fim começou desde os primeiros dias.

Mais uma redação para a escola, 
Júlia Silva 

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Uma contradição a mais

Tenho súbita vontade de contar-lhes a verdade dentre tantas mentiras penosas e, de tão fortes, quase reais. Eu creio, mesmo que lá no fundo exista uma grande vergonha que abstrai a tudo o que se passa, o que a aumenta, essa vergonha maldita que, vez e outra sente-se à vontade para dilacerar-me o ânimo.

Silenciosamente, devaneio deveras sobre a vida e sobre a terra, esse poço sem fim de ilusões que nos traz a mais cruel alegria, para embrulhar-nos com as dúvidas da carne. A propósito, estou em dívida com os céus. Minha peculiar sensibilidade é perceptível à franqueza dos sorrisos, mesmo os forçados; se reparares bem, tenho os olhos profundos. São labirintos espalhafatosos.

É verdade, hesitei por demais antes de buscar nas estrelas a coragem que se precisa para revelar o meu mais profundo e oblíquo segredo: eu acredito no amor. Mesmo sendo assim, multipolar como a lua, creio como quem crê piamente na morte, sem nada dela saber, é triste perder-se em meio às ilusões, pois sei que o final é único e escasso: a tragédia, e o coração partido (mesmo que coração, de fato, não se parta). Mesmo que a mais sombria parte de mim grite num ensurdecedor tom que é meramente psicológico este tal de amor, sou melancólica demais para crer e entender… Deve, tem de existir algo que nos mova emocionalmente, que nos alimente, porque senão a tristeza reina, porque corações precisam de palavras, por mais ilusórias que elas sejam… Ser humano é movido por ilusões que não findam, são eternas como se eternizou o infinito. Pessoas precisam crer que flores cairão dos céus, mesmo que sabendo que esta mirabolante idéia nunca irá se firmar, para só assim querer continuar, somente para ver a cor das flores que, subitamente, cairão.

A verdade toda é essa: ilusão alimenta.

Júlia Silva
recantos:

A matter of time.
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Prólogo sobre o amor, que matem-me aos poucos, mas aceitem os fatos.

Prólogo da colheita feliz sobre coração ardente, que derrama a doce seiva da paixão, paixão essa que valeu por existir, misturou-se milhões de vezes à cólera maldita e perdeu-se por entre as brandas e atormentadas almas, e as inquietudes tamanhas. Poder-me-ia falar sobre o mal que esta paixão -diga-se de passagem, maldita- me causou, mas simplesmente não gastarei letras inteiras do alfabeto, com a peste que desatina o meu viver; seria tolice redizer as maldições já redigidas, tal como viver novamente fatos que, de fato, nunca deveriam ter sido vividos. 
São dores inexatas, estas causadas pelo amor, pela paixão da carne, todo amor corrói, dilacera, acaba. Ah, antes me fosse a graça divina dum sorriso entre as lágrimas, mas não há nada de doce, são como as águas do mar, que de tão salgadas, até cegam (o amor cega). Infelizes os que amam! Pois sempre findam na desgraça, sempre terminam como vagas almas subalternas meramente desiludidas por esta vida de espertos.

Ah, amor nem um vale à pena, na verdade… São apenas bobagens, completudes do viver! Algo unicamente psicológico. Mas, basta-me o verbo, pois a tinta da paciência com a qual escrevo, esgota-se a cada instante jogado ao fogo, ao indesejável. É indizível e tosco. Não se há nada a falar, nunca houve, mas se houvesse, agora haveria ainda menos, e eu poria um ponto final; o qual colocarei agora.

Júlia Silva

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À um alguém querido… Larissa Soriano, minha cruciante.

“Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando
chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de
grandes chuvas e das recordações da infância.
Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste
durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já tenho um amigo.
 
Preciso de um amigo para parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo” (
Vinícius de Moraes)

Lembro-me bem de tuas primeiras angústias, mesmo que eu as tenha pegado pela metade, nunca hei de esquecer-me das lágrimas que derramou sem eu ver, mas saiba que pude senti-las, mesmo tão distante. Amigos por acaso, mesmo que acasos sejam vagos, mesmo que nada seja por acaso; amigos por destino, mesmo que o mesmo não exista, de fato, ou que não acredites… No vão das coisas mais belas e sentimentos mais profundos, das dores mais sentidas, encontramo-nos, para dividirmos os problemas e compartilharmos os sorrisos. Preocupo-me demais contigo, minha flor, e queria eu poder eternizar nossos laços, tão recentes, mas tão bonitos… Desejo para você, toda a felicidade que este mundo pode dar, e o amor tão grande que existe dentro de ti, multiplicado. E que nada, nem um defeito da carne possa nos afastar, porque mesmo a distância, pode ser pouca coisa, pelo abraço que te dou agora! Pode sentir? Que venham mais quinze anos, minha bubu!

Feliz Aniversário! Amo-lhe.

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Versos de Marujo

mundoproibido:

Tão amantes quanto a lua e o mar
Até mesmo sem vento
Em sua direção ei de navegar
Musa de todo meu alento

Grito forte e em bom tom
A riqueza é ilusão
Sou teu marujo alegre e bom
O meu tesouro é teu coração

Passa e repassa muitos cais
No mesmo instante eu vejo a flor
Que desabrocha e se desfaz

Singelos versos de sonhador
Marinheiro aprendiz de poeta
Que dos teus olhos foi descobridor

3"Infelizes os que amam! pois sempre findam na desgraça."
/ past